TEA: orientação prática e triagem com o AQ-10
Atualizado: 22 de set.
O que é o Transtorno do Espectro Autista, como ele se manifesta em cada idade, o que a avaliação médica investiga e como funciona a triagem com o AQ-10, nas versões para adultos e para pais de crianças e adolescentes.
Este conteúdo não substitui consulta médica. Em situações de risco ou regressão acentuada, procure avaliação clínica imediata.
Definição e critérios nucleares (DSM-5-TR)
Critério A: déficits persistentes em comunicação e interação social (reciprocidade socioemocional; comportamentos comunicativos não verbais; relações e ajustes contextuais).
Critério B: padrões restritos e repetitivos (estereotipias e interesses restritos; insistência em rotinas; hiper ou hipossensibilidade sensorial).
Início no desenvolvimento e prejuízo clinicamente significativo em domínios acadêmicos, ocupacionais ou sociais.
Não explicado melhor por deficiência intelectual isolada.
A classificação de níveis de suporte e perfis de linguagem e cognição é feita após avaliação clínica abrangente.
Sinais por faixa etária
Crianças e adolescentes
Dificuldades de reciprocidade social e brincar de faz-de-conta limitado.
Interesses fixos, rotinas rígidas e resistência a mudanças.
Hipo ou hiper-reatividade sensorial a sons, texturas e luzes.
Perfis heterogêneos de linguagem, de avançado a restrito, e funções executivas variáveis.
Adultos
Dificuldades sutis em ler pistas sociais e entrelinhas; fadiga social.
Preferência por rotinas e hiperfoco em temas específicos.
Desconforto sensorial em ambientes imprevisíveis, com ruído ou cheiros intensos.
Forças: sistematização, atenção a detalhes e pensamento lógico.
Avaliação clínica baseada em evidências
Anamnese do desenvolvimento (marcos, linguagem, socialização, interesses) e observação em múltiplos contextos.
Informantes: pais, cuidadores, escola e parceiros, quando possível.
Instrumentos: triagens (AQ-10, M-CHAT-R/F, CAST), escalas de gravidade (SRS-2) e entrevistas padronizadas quando indicadas.
Diferenciais e comorbidades: TDAH, ansiedade, depressão, TOC, fobias, TDC, deficiência intelectual, transtornos de linguagem, epilepsia e condições genéticas.
Intervenções e suportes
Psicoeducação para a pessoa, a família, a escola e o trabalho.
Acomodações ambientais e comunicacionais: clareza de rotina, previsibilidade, pistas visuais e redução de sobrecarga sensorial.
Terapias focadas em habilidades sociais, comunicação e regulação emocional; TCC adaptada; treino parental; coordenação escola-família.
A farmacoterapia é adjuvante e direcionada a comorbidades-alvo, como TDAH, ansiedade e irritabilidade.
Idades iniciais, de 0 a 5 anos
Para crianças de 16 a 30 meses, recomenda-se o M-CHAT-R/F, triagem específica para risco de TEA em lactentes. O AQ-10 apresentado aqui cobre adultos e crianças ou adolescentes.
A triagem com o AQ-10
O AQ-10 tem duas versões: uma de autorrelato, para adultos, e uma respondida por pais ou cuidadores, sobre crianças e adolescentes. São dez perguntas em cada uma, respondidas em uma escala de concordância.
Os questionários estão disponíveis na página de triagem do site, onde o resultado é calculado no próprio dispositivo. Nada é enviado a servidores, e o resumo pode ser exportado para levar à consulta.
O que a triagem alcança e o que não alcança
Base científica: DSM-5-TR (critérios A e B), com uso do AQ-10 adulto e do AQ-10 para crianças e adolescentes como pré-avaliação.
Limitações: baseia-se em autorrelato ou relato de terceiros; não avalia curso do desenvolvimento, níveis de suporte, linguagem nem diferenciais complexos.
Próximos passos após triagem positiva: avaliação clínica estruturada, observação, anamnese do desenvolvimento, informantes e escalas adicionais como SRS-2, CAST, RAADS-R/14 e M-CHAT-R/F para 16 a 30 meses.
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Conteúdo educativo. Em emergências, procure um serviço de urgência.
Dr. Sérgio de Ornelas Flor – Médico, CRM-SP 157631 | Clínica Impacta, Alphaville e Barueri, SP.


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